Quando era criança e surgia a famosa questão que vou ser quando for grande (e com ser, em geral, estamos pensando qual a carreira que queremos seguir), divagava entre várias profissões. Imaginava-me fazendo várias coisas: cantando, escrevendo, dançando e tendo uma família muito grande, apesar de nunca ter relacionado essa palavra com o ser mãe; apenas com o agrupar pessoas que tivessem afinidade.
Cada sonho de profissão tinha o seu determinado tempo de vida (às vezes anos), mas acabava sempre sendo substituído por outro. Nenhum me satisfazia 100%. Afinal, tem-se que estar muito seguro em relação à escolha que vai ocupar a maior parte da vida, sobretudo tratando-se da própria. Uma coisa era verdade: queria que a minha atividade levasse as pessoas a modificarem-se. Fosse qual fosse a minha escolha, não podia passar despercebido. Tinha que levar à mudança.
Quando escrevia, imaginava-me penetrando o mundo do leitor com as palavras e deixando ali as minhas sementes. Quando dançava, desejava emocionar o espectador a tal ponto que ele quisesse juntar-se ao que eu estava fazendo. Ao optar por não comer cadáveres (decisão espontânea e eterna, que mantenho desde antes dos dez anos de idade), propus-me a, com essa atitude, contagiar os que comigo conviviam.
O fato de que, quando algo chamava a minha atenção, alguma coisa sempre se modificava dentro de mim, deixava um pensamento latente: que mudanças quereria eu desencadear nos outros? Via muita responsabilidade neste pensamento e, talvez por isso, não conseguia decidir-me.
Encontrava-me nesta dúvida quando, naturalmente, tudo se foi encaixando.
À medida que comecei a entrar em contato com o Método DeRose, os meus movimentos corporais encontraram a roupa perfeita: continuei transmitindo emoções e idéias através do corpo com as sequências coreográficas do SwáSthya Yôga. Tudo o que escrevi a partir de então, assimilou o ponto de vista de uma swásthya yoginí, e dessa forma, consegui continuar participando do mundo íntimo dos leitores através das minhas próprias palavras organizadas em novos livros. Vegetariana? Claro, sempre, e à minha volta – finalmente – pessoas com a consciência daquilo que levam à boca. Também consegui entender o conceito de família com que tinha sonhado: tratava-se da linda cultura, formada por aqueles que praticam e ensinam esta filosofia de vida.
Poder ver que várias vidas modificam-se impulsionadas pelo meu trabalho diário é o que sempre desejei. A perpetuidade está em saber que aqueles que seguiram o impulso, por sua vez, o passarão a outros e assim sucessivamente, em efeito dominó.
Pretendo deixar a minha marca na Terra através da reeducação comportamental dos que optam por estar mais próximos de mim. Transmitir, comunicar e ter a certeza de que aquilo que os meus alunos aprendem não é apenas uma coisa qualquer que eu ensinei e que eles repetem automaticamente, mas sim algo que já existia desde há milênios no inconsciente coletivo da humanidade. Um conhecimento que está no próprio ADN e que só precisa ser acordado. A principal tarefa do Instrutor de SwáSthya é, simplesmente, dar o empurrão inicial em direção ao autoconhecimento.
Texto de Anahí Flores (Revisão do texto: DeRose)
Um grupo de alunos e instrutores de Swásthya Yôga passeava nos Jardins de Luxemburgo num Domingo de sol. Vários de nós fomos acomodando-nos em círculo, e assim começou espontaneamente um sat sanga (vocalização de mantras extroversores, acompanhados com palmas). O Mestre DeRose observava de pé, e muitos parisienses espalhados pela relva aproximaram-se para assistir.
Estávamos perante um instante que não se pode deixar passar: uma plateia cheia e receptiva. Fui para o centro do círculo e comecei a improvisar uma coreografia. O sol, o ar, as vozes dos meus companheiros e a percussão davam-me força para dar o melhor de mim. E, justamente no clímax, quando o som, o bháva -sentimento- e o movimento estavam excaixando um no outro sincronizadamente, chegou um agente da polícia e mandou-nos parar com as palmas e as vozes, alegando que pertubavam a ordem. Nós paramos e observamo-los (em parte pela surpresa, em parte para comprender a mensagem em Francês). Mas o público parisiense que se viu privado do espectáculo não hesitou em protestar: UUUHHHHHHH!!!
O círculo de praticantes decidiu unanimente retomar a melodia do mantra, desta vez sem palmas nem vozes pertubadoras, somente sussurando. O polícia aceitou. E eu reiniciei a coreografia.
Um ar de cumplicidade entre nós e o público invadiu a tarde no Jardim.

Texto e foto (do arquivo pessoal) de Anahi Flores
“10 propuestas de relax para llevar en el bolsillo”
Prelo do próximo livro da Anahí Flores, chamado “10 propuestas de relax para llevar en el bolsillo” (dez propostas de relax para se levar no bolso) a ser editado em Buenos Aires durante o ano 2009, com o apoio da Sede Callao da Universidade de Yôga.
Sobre o livro, DeRose disse:
Estávamos precisando de um livro pequeno que proporcionasse conhecimentos práticos de SwáSthya Yôga para uso imediato. Um libreto para portar na bolsa ou no bolso e reler no ônibus ou no metrô e praticar imediatamente, a qualquer momento, em qualquer lugar. Técnicas simples e despretensiosas, porém autênticas e eficazes.
Depois, quem quiser saber mais, poderá recorrer aos demais livros, uns pequenos, outros grandotes, que a autora cita e recomenda àqueles que tiverem maior interesse.
E como pequeno é o livro, pequeno é o prefácio que o avaliza e endossa.
Boa prática para você!
DeRose
Yôga e relax
Antigamente, Yôga e relax no tinham uma relação entre si. O Yôga sempre foi associado à força, poder e energía. No entanto, como as técnicas ancestrais proporcionam ferramentas para uma melhor administração do stress, na atualidade, muitos associam esta filosofia com um estado de descontração pleno. Essa não é a nossa intenção, mas somente aproveitar algunas técnicas milenares para a vida diária contemporânea.
Em Diez propuestas de relax para llevar en el bolsillo veremos como pequenos detalhes de uma filosofia, podem ser colocadas em prática a qualquer momento. Para aprofundar mais este tema, você pode ler Relax, permanezca despierto y lúcido, desta autora. E se gostar do que encontrar nestas páginas, recomendamos inteirar-se dos demais livros da cultura SwáSthya, onde poderá conhecer outros aspectos do mundo do Yôga Antiguo.
Para realizar de pé
A seguir, uma série de técnicas para realizar de pé. Lembre que não é necessário fazê-las todas juntas, mas alternando-as de acordo com a situação e as próprias preferências. O mesmo vale para os seguintes conjuntos de técnicas. Podem ser feitos com sapatos, se estiver no meio de um dia de trabalho, ainda que o melhor seja ficar descalço e apoiar a planta dos pés no solo.
1 Afaste um pé do outro de aproximadamente à distância de suas duas mãos extendidas. Comece a balancar o corpo em direção de ambos lados. Permita que mãos e braços se deixem levar pelo movimento de forma tal que parecerão a tromba de um elefante balançando-se. Não por acaso, esta técnica em sánscrito leva o nome de hastinásana (hastina se traduze como elefante e ásana significa técnica corporal). A pesar de conhecer seu significado, no Yôga Antigo não nos preocupamos pela tradução de cada técnica, posto que é mais interesante conhecer seus nomes originais, assim como no ballet os nomes das técnicas são mantidas em francês.
Perceba como as tensões da coluna vertebral vão se dissipando por seus ombros e braços, até que finalmente se desprendem de seu corpo através das mãos.
Realize hastinásana durante três minutos, sem interromper.
2 Da mesma forma que na técnica anterior, afaste um pé do outro aproximadamente à distância de suas duas mãos extendidas. No Yôga, tanto a inspiração como a exalação devem ser nasais e há una regra geral de respiração que diz que todo movimento para cima se faz inspirando e para baixo exalando. Em pé, eleve ambos braços extendendo-os para frente, com as mãosentrelaçadas. Sincronizadamente, os calcanhares se elevarão do solo ao máximo. É importante que ambos movimentos sejam realizados ao mesmo tempo e acompanhados por uma única inspiração. Permaneça tracionando a coluna enquanto mantém os pulmões cheios de ar. Ao precisar exalar, solte as mãos e abaixe lateralmente ambos braços até que as mãos toquem a quadris. Sincronizadamente, abaixe os calcanhares até apoiá-los no solo. O movimento de descida se fará con uma única exalação.
Realize talásana só uma vez, permancendo o máximo de tempo possível no ponto culminante da técnica. Não repita.
Texto cedido por Anahí Flores
Muito se fala em sustentabilidade financeira, social e ambiental. E por que não nos preocuparmos também com a “sustentabilidade” da nossa saúde? Dentre as citadas acima, em minha opinião, é a mais importante, porque sem saúde é impossível aproveitar a vida.
Hoje em dia todo mundo empresarial bate nessa tecla da sustentabilidade, pois muito se sabe sobre a importância de preservar o meio ambiente e a própria sociedade da qual as empresas dependem seja para venda de produtos, ou prestação de algum serviço. Já há consciência que se não houver esse tipo de preocupação é possível até que em alguns anos nada mais exista.
Percebendo isso, comecei a prestar mais atenção a esse assunto e, uma vez que conhecendo esse conceito de sustentabilidade, apliquei-o na atmosfera da saúde. Eu sempre busquei ter hábitos de vida saudáveis, mas percebi que se não prestar mais atenção à minha saúde agora posso apresentar alguns problemas no futuro, principalmente na região da coluna que, pela prática de bodyboarder, é a parte do meu corpo mais forçada.
A partir dessa ideia resolvi procurar uma forma mais inteligente de preparar meu corpo e acabei encontrando o Método DeRose. O engraçado é que eu achava que era apenas uma prática de exercícios, de técnicas corporais e respiratórias que iriam beneficiar o alongamento e fortalecimento do meu corpo e, também, no aumento do meu fôlego. (O que de fato aconteceu e num período bem curto. Pratico o Método há alguns meses e já vejo muito resultado). No entanto, fui percebendo que não se tratava apenas de alguns exercícios, ou uma aulinha comum e sim de algo muito mais amplo.
O Método aponta os mecanismos para se obter uma boa qualidade de vida, objetivo perseguido pela maioria dos profissionais nos dias de hoje. Por meio de reeducação comportamental, uma alimentação saudável, boas relações humanas, boa forma e boas maneiras pode-se conseguir a otimização da vitalidade, produtividade e administração do stress.
Aprofundando-me um pouco mais na prática e no estudo, descobri que graças ao alcance de sua proposta, o Método DeRose transformou-se em mais do que simplesmente um curso e passou a constituir uma cultura, um estilo de se viver. Seu aspecto fundamental é o alcance do bem-estar pessoal. Para atingir essa meta, diversas ferramentas são utilizadas, entre elas, técnicas respiratórias, técnicas orgânicas que melhoram o tônus muscular e a flexibilidade, além de procedimentos para o aprimoramento da descontração emocional e da concentração mental.
Pelo o que tenho observado nos dias de hoje, não há muita atenção à saúde no geral, digo isso, porque vejo pessoas próximas se acabando em night, ou com drogas e (acredite se quiser!) até mesmo trabalhando demais da conta, deixando-se dominar por um estresse excessivo. E não interprete isso como hipocrisia, por favor! Com relação à noitada, eu saio de vez em quando, mas de uma forma tranqüila. A minha experiência é que a pessoa acaba curtindo bem mais a noitada dessa forma, do que se estivesse doidona.
O foco do Método que tenho praticado não é oferecer benefícios, uma vez que cada um tem suas expectativas pessoais e não é possível afirmar que poderia suprir a todas. Assim, os eventuais resultados são apenas consequências de uma filosofia de vida saudável.
O que busquei transmitir nesse pequeno texto é a importância da gente se preocupar consigo mesmo dando mais atenção à nossa saúde, no sentido mais amplo, para que possamos curtir a vida em sua plenitude e, assim, compartilhar todo o nosso bem com as pessoas envolvidas em nossa vida.
Texto e foto cedidos por Leonardo Leite (texto revisado por Ana Müller)